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Pinhal de Cabeção

Cabeção

Pinhal de Cabeção
O Pinhal de Cabeção, também conhecido por alguns habitantes da vila como o Pinhal da Ordem, atual Mata Nacional de Cabeção, abrange uma área de 290 hectares, embora no passado tenha abrangido uma área bem maior. É composta por duas zonas, a Mata de Cima e a Mata de Baixo, sendo esta atravessada pela estrada que liga Cabeção a Mora e onde está a Casa do Guarda. Esta mata é composta, sobretudo, por pinheiros-mansos e está inserida na Rede Natura 2000.

O documento mais antigo que se refere a este pinhal data de 1469, referindo o Pinhal de Cabeção como o Pinhal da Ordem, nome que perdurou na memória popular, pode-se dizer que a Vila de Cabeção nasceu e cresceu junto do seu pinhal o qual teve desde sempre uma forte relação com a vila e com os seus habitantes.

Desde que a Ordem de Avis, a mesma Ordem que fundou a Vila de Cabeção, ficou encarregue de defender e povoar toda a região circundante, que o Pinhal de Cabeção começou a contribuir para esse objetivo. Na Idade Média, era no pinhal onde o povo ia buscar a madeira para as suas casas, a lenha para aquecer as mesmas e colher as pinhas. No entanto, os pinheiros que existiam nestas terras pertenciam à Ordem de Avis e ninguém poderia cortá-los sem a permissão do Mestre, os moradores da vila que precisassem de madeira para construírem ou remedarem as suas casas só poderiam fazê-lo com a permissão do Almoxarife, quem cortasse um pinheiro sem a autorização deste ficava sujeito a pagar uma multa de 1000 reis, além de 30 dias de cadeia.

Quando Portugal se lançou na Epopeia dos Descobrimentos, as madeiras deste pinhal foram usadas ao serviço das armadas, com a Coroa, com o rei também como governador da Ordem a intervir diretamente na sua gestão, inclusive, foram as madeiras deste pinhal, consideradas essenciais para as armadas, que levaram reis como D. Sebastião a concederem vários privilégios à vila.

Durante a Guerra de Restauração e os conflitos militares que se seguiram, as madeiras deste pinhal foram novamente direcionadas para a defesa da fronteira, destinadas à fortificação das praças fronteiriças.

Com a Revolução Liberal, a nacionalização dos bens da Ordem e posteriormente, com a extinção do concelho em 1836, houve uma alteração significativa na relação deste pinhal com a vila e com os seus habitantes. Esta relação ainda permanece bem ativa, mas não como outrora, ainda hoje perduram algumas tradições como os piqueniques de segunda-feira de Páscoa e de quinta-feira da Ascensão, a apanha dos espargos e do alecrim para as procissões.

A entrada da vila, junto ao Nicho de Nossa Senhora dos Caminhos, existem várias mesas de piquenique e nesta área, a câmara decidiu fazer um pequeno bar que servia de ponto de encontro e de convívio, que infelizmente encontra-se ao abandono, do outro lado do pinhal, encontra-se o Parque Ecológico do Gameiro, onde está o Fluviário e o Passadiço do Gameiro.

Trabalho de pesquisa: Ivo Barros

Fotos: Ivo Barros

Fotografias

Pinhal de Cabeção