História

História de Cabeção

Das antas e dos romanos à vila e concelho da Ordem de Avis.

Memória local

Os cabeços que deram nome à vila

Cabeção é uma freguesia do Concelho de Mora, foi vila e sede de concelho entre 1395 e 1836. O nome de Cabeção teve origem no facto que na área onde a vila se estabeleceu existirem diversos cabeços.

Das antas aos romanos

Os primeiros povos que ocuparam esta área foram as populações neolíticas, cujas construções continuam a marcar a paisagem, na Herdade dos Pardais e na Moita existem algumas antas/dólmenes. Outro povo que aqui também deixou a sua marca foram os romanos, como se demonstra pelos achados arqueológicos, que os trabalhos agrícolas expuseram a luz do dia, como fragmentos de telhas, ânforas e moedas, numa área onde assentou a plantação de uma vinha e o cemitério da vila. Posteriormente, foram descobertos também vários mosaicos romanos.

Vila da Ordem de Avis

A Vila de Cabeção foi fundada em terras da Ordem de Avis e já existia no século XIII. Inicialmente, a vila era composta por dois pequenos núcleos populacionais, o do Castelo e o da Quinta, que foi sendo progressivamente abandonado em benefício do primeiro, onde se estabeleceu a vila em si. Em finais do século XVI, a vila começou a descer e a expandir os seus limites, dando origem à povoação de baixo e nos séculos posteriores, a vila foi se expandindo até ganhar a forma que tem hoje.

No reinado de D. João I, em 1405, este monarca, com o intuito de atrair povoadores, concedeu vários privilégios e isenções aos habitantes da vila numa carta de privilégios, que protegia os habitantes de abusos a que as populações estavam normalmente sujeitas.

Em 1578, D. Sebastião concedeu o foral à vila, consta que teria tido um foral anterior no reinado de D. João I, porem tal documento não se encontrou até hoje, mas só assim poderia ter sido vila e sede de concelho em 1395. D. Sebastião, por provisão real, concedeu também aos seus habitantes o privilégio de utilizarem livremente o seu célebre pinhal, atual Mata Nacional de Cabeção, podendo servir-se das terras e colher as pinhas sem nenhum constrangimento judicial. A partir de 1578 Cabeção foi um concelho autónomo independente do Concelho de Avis.

O concelho foi extinto em 1836 e anexado ao de Pavia, passando dois anos depois, simultaneamente com esta última povoação, a fazer parte do Concelho de Mora.

Trabalho de pesquisa: Ivo Barros.

Linha temporal

Principais datas

1395

Cabeção já é vila e sede de concelho.

1405

D. João I concede aos habitantes uma carta de privilégios e isenções.

1578

D. Sebastião concede o foral à vila e o uso livre do pinhal, atual Mata Nacional de Cabeção.

1836

O concelho é extinto e anexado ao de Pavia.

1838

Cabeção passa, com Pavia, a integrar o concelho de Mora.

Heráldica da Freguesia
Brasão de Cabeção
Heráldica

Brasão da Freguesia de Cabeção

Armas - Escudo de ouro, cruz da ordem de Avis acantonada de dois ramos de sobreiro de verde, com casculhos do mesmo e landados de vermelho, em chefe e dois cachos de uvas de púrpura, sustidos de verde, em campanha. Coroa mural de prata de quatro torres. Listel branco, com a legenda a negro: "CABEÇÃO".

Bandeira - Esquartelada de verde e amarelo, cordões e borlas de ouro e verde. Haste e lança de ouro.

Elementos Heráldicos

Cruz de Avis

A cruz da Ordem de Avis lembra que a vila foi fundada em terras da Ordem, que já aqui estava no século XIII.

Ramos de sobreiro

Os ramos de sobreiro landados representam o montado e a cortiça que marcam a paisagem e a economia da freguesia.

Cachos de uvas

Os dois cachos de uvas de púrpura evocam a vinha e o vinho de talha, produzido em Cabeção desde o século XVI.

Bandeira

Esquartelada de verde e amarelo. Cordões e borlas de ouro e verde. Haste e lança de ouro.

Conheça a história e a heráldica de Cabeção

Descubra as origens, a memória e a identidade que moldaram a freguesia ao longo do tempo.